A Região Marinhoa

No contexto da Ria de Aveiro a Terra Marinhoa foi a primeira a formar-se, por aluvião. Com a deposição de areias pelo mar, formando progressivamente o cordão litoral, a Ria deixou de comunicar com o mar no séc.XVIII. Nos decumentos históricos os contornos físicos da região só começam a compreender com rigor nos pitorescos mapas do fim do séc. XVIII, relacionados com a abertura da barra artificial, que só viria a concretizar-se em 1808. Ria de Aveiro é pois uma expressão imprópria aplicada a uma laguna, um braço de mar que sofre o efeito das marés e possui água salobra, com pequenos tentáculos ou canais navegáveis que serpenteiam pelas terras circundantes: as ribeiras. Entre os peixes de maior valor gastronómico encontram-se aqui a enguia (antigamente pescada ao candeio com uma fisga, de noite), o sável e a lampreia. Ocasionalmente entram golfinhos na laguna. E estacionam por estas paragens mais de 150 espécies de aves, do que são exemplo a cegonha, garças, águia-sapeira, guarda-rios e flamingos.

Toda a economia tradicional depende da Ria de Aveiro, que funcionava antigamente como primeira via de comunicação ou auto-estrada natural. A pesca e a apanha do moliço (para fertilização do solo, que produz sobretudo milho) foram as principais actividades de outros tempos, tendo possuído grande tradição a construção naval, particularmente em Pardilhó. Embarcações típicas da região são, entre outras, os moliceiros (o ex-libris regional), mercantéis, bateiras e barcos de mar. Por aqui se construíram também varinos e fragatas destinados ao rio Tejo, bem como lugres para a pesca do bacalhau. Amorim Girão definiu esta gente anfíbia, por analogia ao que escreveu Platão sobre o Mediterrâneo, como um agrupamento humano «assim como rãs em volta de um pântano». Assim é. Em tudo dependem da Ria, que lhes deu o viver e, quando o não deu, os forçou a abandonar a sua característica casa de alpendre e migrar. Dentro de Portugal, principalmente a região de Lisboa; para o estrangeiro, primeiro o Brasil, depois os Estados Unidos da América, a França e a Venezuela, foram os principais destinos.

Capela de Nossa Senhora dos Remédios

A capela de Nossa Senhora dos Remédios data de 1717 e é o mais antigo edifício da freguesia. Na época havia um novo padre na freguesia, filho de um homem de posses que o queria ver como pároco de Pardilhó. Como já havia pároco e o jovem padre teria de ir rezar missa para outro lado o pai construi-lhe esta capela, que servia a população das redondezas. Em meados do século deixou de haver culto tanto nesta capela como na de S.to António. A capela necessita de um restauro, o que só acontecerá depois de deixar de ser particular e pertencer à paróquia, como aconteceu com a de S.to António, antes pertença da S.ta Casa da Misericórdia de Estarreja e restaurada à custa dos emigrantes pardilhoenses.








Capela de Santo António

A capela de S.to António, construída na década de 30 por António Joaquim de Rezende, um abastado proprietário local que enriquecera no Brasil, vem a substituir uma outra que existia no centro da freguesia e que foi mandada demolir em 1926, pelo mesmo homem. A saída do cemitério do centro da freguesia, primeiro, e da capela de S.to António, depois - embora com grande resistência da população -, tornaram possível a criação do amplo centro actual, onde noutro tempo se realizava uma grande feira nos dias 9 e 23 de cada mês, feira esta mais tarde transferida para a Quinta do Rezende, antes de desaparecer.








Casa do Tear

Antiga casa da família de Manuel Condessa, que vivia da agricultura e da criação de gado, a Casa do Tear é um espaço diversificado e acolhedor, direcionado para as vertentes cultural e recreativa.

Tendo a tecelagem como inspiração e ponto de partida, a Casa do Tear oferece tranquilidade, bons momentos, ideias originais e momentos culturais…

A Casa do Tear surgiu em 2012 quando a 2ª geração ligada à tecelagem decide dar um novo fôlego / rumo à actividade da tecelagem manual de tapetes (passadeiras e mantas) conhecidos por "tapetes de trapos", outrora presente em muitas lojas e feiras de todo o país, mas que face às alternativas foi perdendo visibilidade.





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Casa Pontinhas

Apartamentos com acesso independente do resto da vivenda, cozinhas completas, quartos com jogos de cama e toalhas.

1º Andar - Quartos: 2 duplos com camas de casal que se podem transformar em 4 individuais, 1 casa de banho. Adicionalmente, um quarto de vestir com uma cama de gaveta para duas pessoas (individual). Cozinha em sala grande que também é sala de estar. 2º Andar -> Quartos: 1 duplo com camas individuais, 2 duplos com camas de casal, 2 casas de banho. Adicionalmente a sala (muito grande) tem cama de gaveta para duas pessoas (individual).





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Fonte da Samaritana

A Fonte da Samaritana, antigamente, não era mais que uma pequena nascente onde a população buscava água. Joaquim Maria de Rezende, aquando vereador da Câmara Municipal de Estarreja, em 1910, mandou construir, a expensas suas, a obra actual. Próximos deste monumento histórico ficam os moinhos da Mázia, dois dos poucos moinhos que noutro tempo funcionaram na freguesia e de que ainda se conservam as ruínas.








Igreja de Pardilhó

A construção da igreja de Pardilhó iniciou-se em 1812, treze anos depois de se iniciarem os esforços para isso, e foi inaugurada em 1835. A anterior igreja encontrava-se algumas dezenas de metros a noroeste da actual e foi demolida pouco depois da construção desta. De traços arquitectónicos simples, apenas merecem referência os altares a diversos santos que possui. O Cruzeiro data de 1899, embora venha já a substituir um primeiro. Depois da mudança do cemitério para a sua localização actual, em 1926, o Cruzeiro foi deslocado para onde se encontra hoje, dentro desse anterior cemitério, espaço agora arborizado.








Ribeira d'Aldeia

Desagua aqui a regueira da Tranqueia, escoante das águas que se juntam durante o inverno no Canedo de Além.

No início do séc.XX contruíram-se na Ribera d'Aldeia varinos e fragatas, destinados ao rio Tejo. E em 1956 fundou um estaleiro naval Manuel Dias Bastos, a quem deu continuidade até há poucos anos José Duarte da Silva (Pitarma), com Dniz Tavares de Matos, construindo e reparando barcos de recreio em madeira. O velho barracão em madeira, hoje em reconstrução, é um dos últimos testemunhos dos vários antigos estaleiros navais de Pardilhó, localidade que acolheu no Estado Novo a sede do Sindicato Nacional dos Carpinteiros Navais do Distrito de Aveiro, abrangendo a Figueira da Foz.

Foi aqui a principal porta de entrada e saída de pessoas e bens de Pardilhó, ligando a freguesia a toda a região lagunar. A partir de 1973 e durante alguns anos a procissão do S.Pedro de Pardilhó seguiu até à Aldeia e ali também se festejava o S.Paio dos Ógados em Setembro.

Na década de 1990 abriu um café numa construção em madeira, posteriormente melhorada e ampliada, assim como as instalações desportivas da secção de canoagem da Associação Saavedra Guedes. Mais recentemente foram realizados outros melhoramentos: um parque de merendas, parque infantil e parque de caravanas.








Ribeira das Bulhas

Possuindo uma fonte junta, era considerada em 1917 a segunda ribeira mais movimentada de Pardilhó. Ficam-lhe próximos os dois últimos estaleiros navais activos de Pardilhó, o do mestre António Esteves e, mais além, o do mestre Felisberto Amador.








Ribeira da Tabuada

Uma das várias ribeiras de onde partiam os agricultores para a Marinha de Ovar e as vendedeiras para o mercado diário de Ovar, práticas que no fim do século XIX constituíram pretexto para esse concelho tentar anexar a freguesia de Pardilhó.

A Marinha de Ovar, Tijosa e Torrão do Lameiro começaram a ser ocupados na segunda metade do século XIX por agricultores de Pardilhó, que ali viviam e trabalhavam à semana, mas vinham ao fim-de-semana à freguesia de origem abastecer-se de viveres e cumprir os preceitos religiosos. O mesmo sucedeu com as Quintas, a Norte da Torreira, povoadas por agricultores de Pardilhó e do Bunheiro.








Ribeira das Teixugueiras

O lugar das Teixugueiras foi um dos primeiramente habitados de Pardilhó, ali se referindo no século XVI o cultivo de milho e trigo. Era então um dos principais lugares da freguesia, confirmando a regra dos primeiros habitantes se estabelecerem junto da Ria de Aveiro.








Ribeira do Nacinho

Durante a Primeira República construíram-se aqui vários navios, destinados à pesca do bacalhau. O mais célebre foi o José Estevam, cujo bota-a-baixo ocurreu em 1921 e pescou por conta de uma sociedade de pardilhoenses, a Empresa Industrial de Pardilhó. A sociedade possuía uma seca de bacalhau perto da ribeira da Aldeia(o nome de uma rua guarda essa memória), mas poucos anos durou e terminou com prejuízo, devido a um acidente sofrido pelo navio perto da Terra Nova.

Com as obras recentes deixou de se ver o sítio da Praia do Bispo, que se diz dever o nome a D.Manuel Maria Ferreira da Silva (1888-1974), o único bispo natural de Pardilhó.








Ribeira do Telhadouro

A primeira referência escrita a Pardilhó consta de um caderno de pergaminho, com datação aproximada de 1346-1357, hoje à guarda de Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Consiste numa lista de casais e herdades do Mosteiro de Arouca, na terra de Antuã e Avanca. Aí se mencionaram, entre as propriedades de Avanca, o casal do Talhadoyo e marinha do Talhadeiro, que devem referir-se ao Telhadouro de Pardilhó. Vestígios das velhas marinhas de sal que por ali terão existido no século X.